terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pragas do Teste de Software

Em Junho o James Whittaker começou uma série de publicações entituladas The 7 Plagues of Software Testing (As 7 pragas do teste de software), baseadas em um encontro interno na Google em que ele falou sobre o tema. No GTAC (Google Test Automation Conference) ele abordou o mesmo assunto.


Achei muito interessante e resolvi fazer um post reunindo essas publicações que podem ser encontradas no blog do google. Quem se interessar em ver os artigos na íntegra, seguem os links na ordem de publicação:

The 7 Plagues of Software Testing
June 22, 2009

The plague of repetitiveness
June 24, 2009

The Plague of Amnesia
July 13, 2009

The Plague of Boredom
July 21, 2009

The Plague of Homelessness
July 23, 2009

The Plague of Blindness
July 29, 2009

The 7th Plague?
August 10, 2009

The 7th Plague and Beyond
September 02, 2009

The Plague of Entropy
September 14, 2009

A PRAGA DA FALTA DE PROPÓSITO

Whittaker fala sobre a falta de um pool de conhecimento comum, sobre estarmos sempre reinventando a roda que alguém, as vezes até mesmo dentro da nossa empresa, já inventou. Sobre a falta de compartilhamento de conhecimentos, a falta de objetivos.

Por que testamos? Já se fez essa pergunta? Sabe respondê-la? Muitas das respostas poderiam ser: “Porque meu gerente me disse pra testar”. E por que automatizar? Também muitas das respostas poderiam ser: “Porque eu sei programar”. Infelizmente não seria um concenso responder que isso faz parte de uma estratégia e mesmo do set dos que pensaram nisso como resposta, apenas uma parte saberia explicar essa estratégia.

Contrariando o slogan da Nike “just do it”, que funciona muito bem para execicios físicos, mas péssimamente mal para teste de software, Whittaker nos convida a parar, pensar e perguntar-se: “Qual o meu objetivo?”, “Qual o propósito desse teste?”

Documente seu sucesso, avalie seus fracassos e compartilhe o resultado da sua introspecção com seus colegas.



A PRAGA DA REPETIÇÃO

Se a falta de proposito é resultado do “just do it”, então a repetição é o “just do it” várias e várias vezes.

Nesse post Whittaker cita o paradoxido do pesticida de Boris Beizer’s. Pesticidas matam insetos (bugs ;) ), mas se usar sempre o mesmo veneno, os insetos que sobreviveram vão ficar imunes a ele. Em testes, se usarmos sempre as mesmas estratégias, os mesmos testes, teremos a falsa sensação de não ter bugs, mascarando métricas e resultados, onde na verdade o que ocorre é o efeito do noss teste não é mais tão abrangente.

Questione-se qual o valor que os seus testes estão agregando, varie, mude a ordem de execução, encontre variações de ambientes e dados aplicáveis e impeça a sua aplicação de ficar imune aos seus testes.


A PRAGA DA AMNÉSIA

Whittaker fala sobre dois tipos de amnésia: a do time e a da indústria.

Sobre a do time, parece que cada projeto é um novo começo. O time esquece dos seus projetos anteriores, dos bugs encontrados anteriormente, dos testes, etc. Na verdade cada novo projeto é um objetivo novo para um time que já ganhou experiências em outros projetos. O que falta é um mecanismo de retenção de conhecimento.

Sobre a da indústria: você já tinha ouvido falar ou lido sobre o exemplo dado do pesticida de Boris Beizer? As chances de ninguém ter passado pela mesma dificuldade que você está tendo agora nos seus testes é mínima. Mas a memória coletiva da indústria é muito fraca e falta compartilhamento de conhecimento o que leva as pessoas a estarem sempre perdendo tempo e reinventando a roda.


A PRAGA DO TÉDIO

“Testar é chato”. Eu mesma já disse isso em algum momento :). Há alguns aspectos monótonos e não criativos no teste. No início, a sensação de estar caçando bugs e encontrá-los pode manter o profissional motivado por algum tempo, mas depois é preciso algo mais.

Projetar testes, definir estratégias, selecionar o que vai ou não ser testado, como vai ser testado, são atividades mais desafiadoras intectualmente que podem afastar a mesmice.


A PRAGA DA FALTA DE AMBIENTE

Há dois grupos de detectores de bugs, os profissionais de teste e os usuários. No caso dos usuários, eles encontram os erros casualmente executando suas rotinas, não planejam encontrar os bugs, simplesmente os encontram.

E porque não achamos todos os bugs do sistema? Por que por melhor que seja a nossa estratégia, ainda assim há o risco de o usuário encontrar falhas que não encontramos? Porque ele que está em contato com o sistema no habitat ideal.

Whittaker faz uma compração com uma casa. Por mais que uma obra seja conduzida com todo esmero, supervisão, etc, alguns problemas só serão encontrados quando houver alguém morando lá e utilizando a estrutura no dia a dia.

Por mais que tentemos criar um ambiente igual ao do usuário (que já é muito difícil) ainda assim ficarão gaps que podem ser espaço de bugs. Por isso o período de garantia de um software.


A PRAGA DA CEGUEIRA

Testar um software é similar a jogar vendado um jogo de videogame sem informação alguma das variáveis em jogo. Se você é o Hyu e consegue dar uma série de Ha Dou Kens sem o seu adversário se mexer até fica fácil, mas sem saber o lifescore do seu personagens fica dificil tomar decisões. Agora imagine-se jogando Warcraft sem ver seus inimigos ou qualquer outro jogo que você tenha que acertar (mesmo que nao seja matando :P) um alvo e não consegue vê-lo. Bom, teste tem muito disso. Você não sabe onde estão os bugs. Pior ainda, muitas vezes não se pode atestar a cobertura dos testes e as vezes sequer tomamos conhecimento de mudanças no código.

É preciso ter a segurança de poder responder perguntas como a cobertura de testes, o que mudou de um build para outro, que partes do software costumam ter mais bugs, quais são alteradas com mais frequencia, etc.


THE 7TH PLAGUE AND BEYOND

No post The 7th Plague and Beyond, Whittaker fala que recebeu várias sugestões do que poderia ser a sétima praga. Seguem abaixo:

A praga das métricas: Métricas as vezes mudam comportamentos e deixam de ser uma medida de comportamento para ser um alvo, um objetivo.

A praga da semantica: Não há um dialeto comum. Alguns termos de especificações são comumente mal interpretados por essa falta de senso.

A praga da inifinidade ou da exastão: Saimos do foco muitas vezes por sermos obrigados a passar a maior parte do tempo explicando porque estamos ou não testando algo. Sempre que temos um novo objeto de testes temos riscos associados e começa tudo de novo.

A praga da má comunicação: A linguagem de criação (desenvolvimento) e a de destruição (testes) são diferentes.Os desenvolvedores não entendem os reports de defeito dos testers. Alguns dos casos de reabertura de defeito por má ou falta de correção dos desevolvedores são por falta de entendimento do desenvolvedor em relação ao bug. Nesse caso ao inves de má comunicação, as vezes é falta de comunicação mesmo.

A praga da rigidez: A criatividade muitas vezes não é permitida. Há rigidez nos processos, nas estratégias e isso se torna um empecilho ao desenvolvimento do nosso trabalho.


A PRAGA DA ENTROPIA

Entropia é uma medida de incerteza. Considerando 5 eventos, se a probabilidade deles acontecerem é igual, então temos o valor máximo de entropia e se um evento é certo e os outros 4 impossívels, temos o valor mínimo de entropia.

Testers inserem entropia no desenvolvimento quando adicionam tarefas aos desenvolvedores. Quando os devs estão apenas escrevendo o codigo da aplicação, a entropia é baixa, quando submetemos bugs, a entropia começa a aumentar. Quanto mais tarefas paralelas, maior a entropia, maior a probabilidade de inserção de novos bugs.

Acabar com a entropia é “fácil”. Basta termos desenvolvedores que nunca erram :). Ou uma solução mais tangível é estarmos atentos a essa entropia e gerenciarmos melhor essas atividades.



E quais são as pragas que afetam o seu dia a dia?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Processo de Teste: Avaliando critérios de saída e reportando

Falamos sobre Análise e Projeto de Teste de Software:
Estudo CTAL: Processo de Teste
Falamos sobre Implementação e Execução em dois artigos:
Processo de Teste: Implementação e Execução
Processo de Teste: Implementação e Execução II

E o próximo ponto importante para o Analista de Testes é avaliar os critérios de saída e gerar relatórios para acompanhamento do gerente.

Nesse ponto do processo serão coletadas informações para o gerenciamento e medido o progresso, que consequentemente leva a detecção de desvios do plano.

Para medir a completude do teste é possível considerar informações como:

- Número de condições de teste, casos de teste, ou procedimentos de teste planejados, executados, passados, e falhados
- Número total de defeitos classificados por severidade, prioridade, status, ou outro fator relevante
- Requisições de mudanças (change requests) propostas, aceitas, testadas
- Planejado versus real: Custos, cronograma, esforço...
- Riscos de qualidade mitigados e os restantes
- Tempo de teste perdido com eventos que bloquearam testes (time de implementação não liberou a versão na data planejada, o ambiente estava fora, etc)
- Resultados dos testes de confirmação e regressão


Resumo do Test Suite

Permite fazer um tracking de algumas propriedades importantes da execução


Nesta tabela podemos avaliar:

- Progresso dos testes cases
- Taxas de testes passados e falhados
- Defeitos por test suite de acordo com prioridade/severidade (weighted failure)
- Valor agregado

No lado esquerdo, as duas primeiras colunas são o nome do test suite e o número de caso de testes dele.

Depois, sob Planning Tests Fulfilled, tem-se os testes que estão prontos, que não tem nenhum trabalho adicional a ser feito neles.

Weighted Failure é uma métrica para os bugs encontrados em casa suite. O peso de cada um é medido de acordo com a sua prioridade e severidade num cálculo simples. Bugs com severidade 1 prioridade 1 tem o ponto total (1.00) e considerando 5 niveis de prioridade e 5 niveis de severidade, o bug de menor severidade e menor prioridade vale o mínimo de 0.04. Acrescendo esse valor a cada relação severidade x prioridade, temos valores médios para cada combinação severidade x prioridade, como fica mais claro na figura abaixo:


Em Planned Tests Unfulfilled estão os testes incompletos, que ainda há algum trabalho a ser feito neles. A propósito, caso gere dúvidas, IP é In Progress.

Earned Value é um conceito de gerenciamento de projetos que diz que em um projeto, nós realizamos tarefas gastando recursos (faz sentido, não?). Então se o percentual de tarefas realizadas é mais ou menos igual ao percentual de recursos gastos, estamos no caminho certo. Se o percentual de tarefas realizadas é maior que o percentual de recursos gastos, estamos em um caminho melhor ainda :), a tendência é ficar abaixo do orçamento. Se o percentual de tarefas realizadas é menor que o percentual de recursos gastos, estamos a caminho de passar do orçamento.

Do ponto de vista de cronograma, o percentual das tarefas realizadas deveria ser aproximadamente igual a percentual de periodo decorrido do projeto (elapsed time). Então se o percentual de tarefas está acima do percentual do cronograma, ficamos felizes e satisfeitos e se está abaixo, ficamos tristes e preocupados :P.

Na execução de testes, consideramos o caso de teste ou o procedimento de teste como nossa tarefa básica. Os recursos (para testes manuais) são “pessoa-hora” para rodar os testes.

Fácil? Difícil? :)

Mais um então!


Defect Breakdown

Uma das muitas formas de olhar um defeito é analisando ele sob a perspectiva de severidade x prioridade ou uma combinação dos dois.

Na figura abaixo, temos um gráfico que, comparado a gráficos similares de projetos anteriores, pode nos dizer se estamos indo bem ou não. O ideal é que ele inicia com mais bugs de prioridade/severidade maior, isso demonstraria uma boa aplicação de risk-based testing.

 Figura do livro Advanced Software Testing

Temos nesse gráfico, 5 pontos de severidade. A definição de como aplicar o nível de severidade e prioridade deve estar bem clara para todos os envolvidos no projeto. É bastante comum descobrir, atraves da avaliação desses gráficos, erros na classificação de defeitos.

Para um projeto que esteja no início, parece um bom comportamento gráfico, entretando para um projeto que esteja que esteja próximo ao término do ciclo de execução, é um gráfico bem preocupante.


Taxa de Falha de Confirmação

Um evento que poucos (ao menos eu vi poucos) se preocupam em medir é a taxa de falha de confirmação. O testador encontra um bug, o desenvolvedor resolve, o testador re-testa para confirmar a correção e ..... ? devolve para o desenvolvedor porque o problema não foi resolvido. Esse tipo de situação, que é comum, é uma perda de tempo. E pode ser medida através de um gráfico como esse:


Nesse exemplo, vários bugs foram reabertos, uma média de 1 a cada 6 defeitos reportados.


Padrões

De acordo com o famoso padrão IEEE 829, alguns itens que devem ser incluídos em um report de testes:

- Identificador do report
- Resumo (o que foi testado, quais são as conclusões, etc)
- Variações (do plano, dos casos, dos procedimentos)
- Avaliação compreensível
- Resumo dos resultados (métricas, etc)
- Avaliação de cada item de acordo com seus critérios de falha ou sucesso
- Resumo das atividades (uso de recursos, eficiência, etc)
- Aprovações

Esses resumos podem ser entregues durante a execução do teste, não necessáriamente só no final, e usado como ferramenta de acompanhamento.


Ainda sobre o assunto, eu sugiro a leitura dos seguintes artigos:

Execução e Relatório de Teste
Relatório Parcial de Execução de Teste

E um agradecimento especial ao autor desses dois artigos, o Gustavo Quezada, por nossa conversa sobre métricas. Ajudou bastante :)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Processo de Teste: Implementação e Execução II

Continuando post Processo de Teste: Implementação e Execução, agora com foco maior em Execução.


Iniciando a execução dos testes

Para iniciar os testes, espera-se que os critérios de entrada para essa fase tenham sido atendidos e que esses critérios cubram o que foi discutido no post anterior.

Nessa fase, espera-se que todas as condições de teste e riscos de qualidade tenham sido cobertos e que todos os passos do procedimento de teste tenham sido executados. (...) E por que não seriam?

Como não cobrir as condições de teste e riscos de qualidade? Com testes em alto nível que dependem da interpretação do testador ou que exigem do testador maior conhecimento na aplicação.

Como não executar todos os passos? Alguns passos podem corresponder à configuração de dados, realização de pré condições, retorno do sistema ao estado inicial antes do teste, etc. Em algumas situações esses passos podem ser pulados resultando na execução parcial do teste.

Nos testes manuais pode-se adicionar um certo grau de testes exploratórios deixando o procedimento um pouco mais vago ou na orientação dos testadores explicando que o teste pode servir como um mapa, um guia do que tem que ser testado e que eles podem explorar essa área e investigar os pedaços que eles considerem mais interessantes.


Zoom: Executando um procedimento de teste

Ao executar um procedimento de teste o testador vai comparar o resultado obtido com o resultado esperado no teste e esse é o momento que realmente agrega valor. Tudo o que foi realizado até agora foi para chegar a esse momento, portanto o registro dessas anomalias é a parte mais importante de todo o processo. E falando em anomalia, vamos lá ao dilema das definições.

SEGUNDO O ISTQB: Um resultado obtido diferente de um resultado esperado é uma anomalia e ao a observarmos, temos um incidente. Até ai tudo bem? :) Alguns incidentes são falhas. Uma falha ocorre quando o sistema não se comporta adequadamente devido a um ou mais defeitos. Nesse caso podemos coletar dados e situações para ajudar os desenvolvedores a solucionar o defeito. Alguns incidentes podem não ser falhas mas falso positivos, ou seja, o resultado obtido foi diferente do esperado por má especificação dos testes, dados inválidos, ambiente mal configurado, etc.


Reportando resultados de testes

Maiores detalhes Reportando Defeitos
Não é possível usar o valor que você ganhou na realização dos testes se você não registrá-lo. Em estratégias de teste reativas, é possível usar os defeitos registrados para fazer um script ou mesmo como base de conhecimento da aplicação. No post acima eu listo alguns dados a serem incluídos nessa reportagem de defeitos.

É importante para o controle e gerenciamento do projeto reportar qualquer problema que atrase, interrompa ou bloqueie os testes. Por exemplo: Se na hora de começar os testes descobre-se que o ambiente está fora, está correndo o tempo de execução de testes e é impossível executá-los, é possível abrir um defeito de ambiente e o tempo de correção deve ser indicado com uma das justificativas de atraso (se houver) na execução.


Padrões

IEEE 829 test procedure specification. Esse documento especifica como rodar um ou mais testes e inclui as seguintes seções:

- identificador da test procedure

- objetivo (que testes serão rodados)

- requisitos especiais (permissões, habilidades, ambiente...)

- passos do procedimento (logar, configurar, executar os passos, medir os resultados, finalizar, recomeçar, parar, etc)

IEEE 829 também sugere o que colocar em um log de teste:

- identificador do test log

- descrição do teste (itens de tetse, ambiente, versões, etc)

- atividades e eventos de entrada

Outros padrões que sugiro que dêem uma lida: BS 7925/2 e DO-178B(ou ED-12B).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Salvando Vendas

É comum vermos problemas em sites de vendas que nos afugentam e fazem com que desistamos da compra. Hoje uma colega passou por uma situação dessas, mas houve um outro evento que me fez simpatizar bastante com o mesmo site. Vou fazer um comentário negativo e um positivo, um elogio ao profissionalismo com que uma situação foi tratada.

Uma colega estava olhando uns apartamentos no site da Imobiliária DUCATI e não conseguiu entrar no chat Corretor Online exibido no site. Esse foi o problema. Ela preencheu os dados indicados (todos) e o site dava a mensagem de que o e-mail não estava preenchido. (Vou ficar devendo a imagem pois esse problema só aconteceu no computador dela). <-- Esse é o negativo.

(Mas...)
Em seguida eu tentei entrar no chat para ver qual era o problema. De repente eu descobria algum furo na validação e a avisava como sobre como entrar no chat. Mas com os meus dados, funcionou! :) Entrei no chat por duas vezes e sai, pois estava apenas testando (entretanto poderia ser algum problema com a conexão).

Em menos de 2 minutos após a minha última entrada no chat, meu telefone tocou. Era o corretor que me "atendeu" no chat. Ele comentou que eu estava tentando entrar no chat sem sucesso e perguntou se poderia me ajudar. Nota 1000 pro atendimento. Expliquei a situação e passei o telefone para minha amiga que ficou bem feliz também e elogiou um monte o atendimento.


Parabéns ao atendimento e fica a dica para outros sites que utilizam funcionalidades similares.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Processo de Teste: Implementação e Execução

Nada de gripe suína por aqui. Estava sem postar porque o trabalho estava tomando mais tempo, neurônios e energia do que o normal.


Sem mais ladainhas, vamos ao que interessa:

No último post de processo de teste falei sobre Análise e Projeto de testes. Agora é a vez de Implementação e Execução.

A referência é a mesma: Advanced Software Testing Vol.1 – Rex Black



Implementação e Execução

Passadas as fases de Análise e Projeto, tudo o que falta para que possamos executar o teste encontra-se agora na fase de Implementação. E o que falta? :) Se quisermos estruturar nossos testes em roteiros ao invés de depender do conhecimento do testador do sistema, nessa fase vamos organizá-los em procedimentos de teste, ou seja, documentar todos os detalhes que restam para a execução do teste. O nível de detalhes depende sempre da estratégia de teste adotada.

Para a execução dos testes, também é necessário que estejam bem resolvidas as dependências de dados e ambiente e pode ser que nesse ponto seja necessário utilizar ferramentas para produzir dados em massa.

Precisamos também definir o cronograma de execução e responder perguntas como: Quem vai testar? Em que ordem? Quais são os ambientes necessários?

É importante procurar assegurar ao máximo que as áreas mais importantes/críticas do sistema serão testadas primeiro.

E claro, para a execução dos testes, é necessário que o critério de entrada dessa fase tenha sido atendido.



Test Procedure Readiness

A pergunta que guia essa seção é: Os roteiros de teste estão prontos para serem rodados?

Deve ser determinada uma seqüência clara (e obviamente lógica) de execução dos testes, que engloba a definição de quem vai rodar o quê, quando, com que dados, em que ambiente, em que ordem. Note que “em que ordem” pode não ser uma decisão obvia técnica. Pode ser uma boa idéia pedir auxílio de stakeholders pra entender qual a ordem ideal de execução dos testes.

Se utilizados testes automatizados, devemos organizar a participação deles nesse roteiro. O ideal seria um ambiente separado para os testes automatizados para evitar corrupção de dados que acabam por afetar os resultados não só dos testes automatizados, mas também dos testes manuais, se rodados no mesmo ambiente.

Teoricamente os test scripts e o test harness são construídos na fase de Implementação. Porque “na teoria”? Porque o test harness deveria estar pronto semanas ou mesmo antes de você começar a automatizar seus testes, mas vamos, a título de ISTQB, considerar que são construídos nessa fase.

Também nessa fase trabalhamos as dependências dos testes. Duas bem fortes são: ambiente e dados. Alguns podem agora soltar um “não diz!”. Quem nunca passou por esses problemas? Em uma empresa que trabalhei isso era um suplício e essas eram as maiores causas de desperdício de recursos.



Test Environment Readiness

Se eu rodar meus testes em um ambiente mal configurado, o que acontece? Eu vou ter que rodá-los novamente. Esses resultados não poderão ser ditos confiáveis. Vão gerar “falsos positivos”.

Falsos positivos são testes que passaram, mas deveriam ter falhado, assim como falsos negativos são testes que falharam, mas deveriam ter passado.

Os dois problemas podem acontecer por problemas no ambiente, o que vai aumentar o número de rejeições de defeitos, e gerar uma grande perda de tempo para testadores, desenvolvedores e gerentes.

Um ambiente bem configurado permite que rodemos nossos testes dentro das condições previstas. É um ambiente que opera normalmente quando não há falhas (não gera falsos positivos). Para testes de sistema e testes de integração de sistemas, um ambiente bem configurado deve replicar o ambiente de produção. Defeitos reais de performance, em especial, são difíceis de achar se não forem fornecidas essas condições.

Para ambientes complexos, é comum ter uma pessoa dedicada à manutenção desses ambientes.

É importante também checar todas as ferramentas para gerência de configuração, report de testes, gerenciamento de incidentes, o próprio gerenciamento de testes, etc.



Combinação de estratégias de teste

Geralmente é uma boa idéia usar uma combinação de estratégias de teste para balancear a abordagem, por exemplo, planejando uma porção de estratégias dinâmicas com estratégias risk-based.

É importante, entretanto, que essa porção reativa esteja bem controlada. Os testes não podem ser ad-hoc. E também esses testes têm pouca previsibilidade de duração e cobertura. Sobre esse último ponto, pode-se aplicar uma técnica de gerenciamento de testes chamada session-based, e para estruturar melhor esses testes, aplicam-se técnicas como attacks, error guessing, e exploratory testing.

E porque isso? Testes baseados em experiência tendem a ser responsáveis pela descoberta de 5 a 10 vezes mais bugs que as técnicas scripted. Mesmo sendo de difícil previsibilidade e necessitando de um testador expert, pode ser uma técnica complementar que vá agregar valor à sua estratégia.

Para cada decisão em relação a técnicas e estratégias adotadas, pergunte-se sempre que valor agregará a sua adoção e que contras ela trará? Balanceie e tire dessa reflexão a sua decisão.



(Continua aqui)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Encontro GUTS - Escolas de Teste

Pessoal,



Marcamos o nosso próximo encontro para essa quinta-feira (06/08), aproveitando a presença aqui em Porto Alegre do Elias Nogueira. A palestra será sobre Escolas de Teste e ocorrerá às 19h na FACIN (PUC-RS).

Em breve divulgaremos o auditório. Interessados no evento, acompanhem as informações pelo blog do GUTS



Palestrante:

Elias Nogueira, CSTE. Graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Ulbra - Canoas/RS. Arquiteto de Teste de Software na InMetrics, Instrutor de Teste de Software na Iterasys e Consultor em Automação de Teste na Testanywhere.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Softwares que decidem nosso futuro

Quantos exames você já fez em máquinas que poderiam de alguma forma, se mal configuradas, prejudicar a sua saúde? Softwares que lidam com a saúde humana são considerados software de segurança crítica. Preciso comentar que esses softwares devem passar por uma bateria de verificações e validações bem mais rígida que quaisquer outros? Ou explicar os motivos? Estamos lidando com a vida do ser humano, e um erro pode causar danos sérios, quiçá irreversíveis.

Em junho a lei seca, também conhecida como de tolerância zero, fez seu primeiro aniversário. Uma lei que estipula condições de liberdade caso o condutor de um veículo apresente mais de 0,2 grama de álcool por litro de sangue.

Numa pesquisa rápida no Google cheguei ao resultado que na capital paulista em 2005, o álcool foi responsável por 45% das mortes no trânsito. Fora que o álcool é responsável por alterações nos sentidos, favorecendo o acontecimento de outros crimes e acidentes com seu consumo excessivo. Em um cenário caótico como esse, talvez a lei de tolerância zero seja mesmo a melhor opção para um combate radical a esses números absurdos.

A teoria, na minha opinião, é belíssima.

Mas vamos à prática. Como ocorre essa fiscalização? Através de testes de bafômetros. Como aparecem aqueles números? Através de um software! Um software que pode decidir a sua liberdade. Então, se esse software é responsável por algo tão sério, obviamente é um software que passa por uma bateria de verificações e validações bem mais rígida que quaisquer outros, certo?

“The program presented shows ample evidence of incomplete design, incomplete verification of design, and incomplete “white box” and “black box” testing. Therefore the software has to be considered unreliable and untested, and in several cases it does not meet stated requirements.”, é o que diz este artigo.

Vou reforçar em português: O programa apresenta ampla evidência de projeto incompleto, verificação de projeto incompleta, testes caixa branca e caixa preta incompletos. O software deve, portanto ser considerado não confiável e não testado, e em vários casos ele não atende os requisitos.

Este é o software que define ou não se um condutor será penalizado por essa lei. Veja a pena:.

Quem for flagrado com uma dosagem superior a 0,2 gramas de álcool por litro de sangue (equivalente à ingestão de uma lata de cerveja ou um cálice de vinho) pagará multa de 957 reais, receberá sete pontos na carteira de motorista e terá suspenso o direito de dirigir por um ano. Aqueles cuja dosagem de álcool no sangue superar 0,6 g/l (duas latas de cerveja) deverão ser presos em flagrante. As penas poderão variar de seis meses a três anos de cadeia, sendo afiançáveis por valores entre 300 e 1.200 reais. Os infratores também perderão o direito de dirigir por um ano.

Silvio Meira, professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), fala sobre ao assunto no seu blog.

Obviamente não estou questionando a necessidade de controle do álcool nas nossas vias, nem estou questionando a tolerância da lei. Estou questionando as ferramentas utilizadas para verificar o seu comprimento, ou melhor, a falta de comprometimento social das empresas e dos profissionais que liberam esse tipo de aplicação para serem usados pelo mundo.

A equipe desse software precisaria entender que seus clientes não eram seu gerente, o dono da empresa ou em primeira mão o governo que o compraria, mas pessoas que podem em algum momento ao invés de serem protegidas, serem penalizadas por esse produto.